A sustentabilidade deixou de ser um elemento acessório para se tornar num fator de decisão para as empresas que se posicionam num mercado global cada vez mais orientado por critérios ambientais. No entanto, a indústria de moldes continua a enfrentar desafios quando se trata de comunicar o seu valor ambiental. O workshop ‘Marketing ambiental na indústria de moldes’, que decorreu dia 15 de maio, no Centro Empresarial da Marinha Grande, procurou refletir esta questão, evidenciando aspetos importantes para ajudar as empresas a posicionarem-se de forma diferenciadora junto dos seus clientes, valorizando práticas sustentáveis, certificações e políticas ambientais.
Este evento foi organizado no âmbito do projeto Low-Carbon, uma iniciativa conjunta da CEFAMOL e do CENTIMFE e que tem como objetivo central criar um roteiro de boas práticas para o sector, com foco na competitividade e transição ecológica.
A sessão desmistificou o conceito de marketing verde, mostrando como a sustentabilidade pode - e deve - ser comunicada pelas empresas como um ativo estratégico. A primeira intervenção ficou a cargo de Marisa Gomes e Sara Gerardo, da agência de comunicação Mago, com vasta experiência em projetos na área ambiental. As oradoras sublinharam que o marketing verde “não é um extra: é uma vantagem competitiva”. Destacaram a necessidade de as empresas construírem uma estratégia de comunicação “assente em princípios, valores e práticas que estejam a ser efetivamente desenvolvidos”.
O marketing ambiental, enfatizaram, deve ter como base a ecoeficiência, o design sustentável, a transparência e as narrativas de circularidade. “É importante ser verdadeiro no que se comunica e, para isso, é fundamental centrar o foco nas questões da sustentabilidade”, frisaram.
Chamaram ainda a atenção para o risco de centrar a comunicação apenas em “histórias bonitas”, defendendo que, pelo contrário, deve dar-se prioridade a uma abordagem centrada em resultados e impactos mensuráveis. “O importante é comunicar resultados, valores reais, o impacto das medidas e não apenas intenções”, partilhando exemplos de campanhas que desenvolveram noutros sectores, centradas na valorização das empresas através de uma comunicação sustentada em dados reais e no propósito de melhorar a vida das pessoas. “Numa cadeia de valor limpa, importa valorizar não apenas a venda eficiente, mas também justa e resiliente”, afirmaram.
No segundo painel - ‘Moldes: contributos para objetivos de sustentabilidade de clientes’ - José Vasco, da GLN Advanced Solutions, destacou que, apesar de a sustentabilidade já estar integrada tecnicamente no desenvolvimento de moldes, a comunicação desses contributos ainda é escassa. “A sustentabilidade começa a ser transversal a várias indústrias”, afirmou. No entanto, os benefícios de medidas como a rapidez do processo, o fim de vida dos materiais, o impacto logístico ou a pegada de carbono associada às tecnologias utilizadas, ainda não são valorizados pelos clientes.
“Se os produtores de moldes conseguirem apresentar, de forma clara, esses benefícios, isso poderá vir a ser tido em conta como uma vantagem”, defendeu. Admitiu, contudo, que “apenas alguns clientes, sobretudo na indústria automóvel, já valorizam explicitamente esses aspetos – como o uso de materiais reciclados”. Ainda assim, acredita que esta tendência irá ganhar força nos próximos anos.
Fernando Outeiro, da Plásticos Joluce, mostrou-se mais cauteloso ao afirmar que “é ainda difícil discutir e valorizar sustentabilidade quando a generalidade dos clientes se foca em dois aspetos: preço e prazo de entrega”. Indicou que “à exceção de algumas grandes empresas, a maioria continua a valorizar os critérios de sempre”.
No seu entender, os clientes mais pequenos e os fabricantes de menor dimensão “demorarão mais tempo a introduzir a questão da sustentabilidade”, sublinhando que “as estruturas não estão ainda montadas para fornecer esses dados nem para valorizar essas questões enquanto prioridades”.
A última intervenção coube a Cristina Ribeiro, da Bureau Veritas, que abordou o tema ‘Valorizar certificações e políticas ambientais junto do mercado’. A especialista considera que as certificações serão “fundamentais para valorizar e priorizar a questão da sustentabilidade” e que vão assumir-se, cada vez mais, como um fator de acesso ao financiamento.
“Há metas que é preciso cumprir”, alertou, reconhecendo, no entanto, que “as datas e prazos previstos na União Europeia sofreram um revés com a alteração de prioridades”. Em Portugal, referiu que 44% das PME investiram apenas 1% em eficiência energética, valor abaixo da média europeia (38%). Apesar disso, destacou que 93% das PME na Europa já implementaram medidas de sustentabilidade, com destaque para a redução de desperdícios. Lembrou ainda que a sustentabilidade deve ser encarada na sua dimensão completa, articulando os três pilares fundamentais: ambiente, governança e social.
“As certificações são aliadas das empresas nesta matéria – como o foram no passado em termos de qualidade – e assumem-se como um instrumento de credibilização essencial”, sublinhou.