Sustentabilidade é essencial para a rentabilidade na indústria de moldes

A transição para um modelo de economia circular na indústria de moldes é um passo essencial para garantir a competitividade e rentabilidade das empresas. Esta foi uma das principais conclusões do workshop ‘Economia Circular na Indústria de Moldes’, organizado pela CEFAMOL e pelo CENTIMFE, no âmbito do projeto Low-Carbon, e que decorreu no dia 18 de março, no Centro Empresarial da Marinha Grande. Integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), este projeto pretende alinhar a indústria de moldes com os objetivos e metas do Pacto Ecológico Europeu.

Com a participação de cerca de três dezenas de profissionais do sector, a sessão abordou as oportunidades e desafios da circularidade na indústria. Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, destacou que a economia circular não é apenas uma questão ambiental, mas também um fator essencial para a rentabilidade e sustentabilidade das empresas. Os oradores Vítor Ferreira (Plan4Sustain/Startup Leiria), Teresa Vieira (Universidade de Coimbra) e Mihail Fontul (Iber-Oleff) exploraram diferentes vertentes deste tema.

Vítor Ferreira iniciou a sua intervenção sublinhando que a economia circular deve ser encarada “não como uma obrigação, mas como uma estratégia de negócio resiliente”. Dando ênfase à recente revisão das exigências de sustentabilidade pela Comissão Europeia – que decidiu abrandar algumas das exigências e metas estabelecidas para as empresas -, considerou, que apesar da pressão não ser agora tão elevada, isso não deve levar as empresas a menosprezar qualquer ponto desta temática. Pelo contrário, salientou, a sustentabilidade deve ser entendida como um reflexo da necessidade de equilibrar competitividade e regulamentação.

A transição do modelo linear para o circular é, segundo Vítor Ferreira, “inevitável e vantajosa”, tanto do ponto de vista económico como ambiental. Destacou como passos importantes para a indústria a questão da remanufatura de moldes, a reutilização interna de materiais e a aposta nas energias renováveis, classificando-as como “estratégias fundamentais para melhorar a eficiência e reduzir custos”.

Apontou ainda que a adoção de modelos de negócio circulares, como o leasing ou aluguer de moldes, pode ser um fator de diferenciação das empresas e atrair clientes que valorizam a sustentabilidade. Por outro lado, alertou para o impacto positivo da valorização de resíduos e da remanufatura, “desde que o molde seja concebido de forma a permitir uma maior durabilidade e redução da utilização de metais virgens”. Deixou ainda uma chamada de atenção para a relevância da monitorização e avaliação da pegada de carbono, considerando tratar-se de elementos-chave para garantir a sustentabilidade e competitividade das empresas.

Os reciclados

Na sua intervenção, Mihail Fontul destacou a importância da utilização de matérias-primas recicladas, frisando que o projeto Low-Carbon é essencial para definir estratégias sustentáveis para o setor de moldes. Citando alguns aspetos da legislação europeia sobre economia circular, exemplificou como as metas de neutralidade carbónica da Volkswagen impactam toda a cadeia de fornecimento.

O orador elucidou ainda acerca dos diferentes tipos de reciclagem de plásticos utilizados na indústria automóvel, alertando para as dificuldades associadas à reciclagem química devido aos elevados custos e à necessidade de avanços tecnológicos. Referiu que o polipropileno e a poliamida são os plásticos mais usados em veículos e possuem processos de reciclagem bem estabelecidos, mas apontou, contudo, desafios na reciclagem de outros materiais menos comuns.

Mihail Fontul defendeu também a necessidade de um modelo de negócio sustentável e flexível, alertando que as empresas de moldes devem evitar competir apenas pelo preço. Sublinhou que a adoção de estratégias de circularidade e sustentabilidade pode reduzir custos e fortalecer a competitividade, assegurando um posicionamento estratégico no mercado global.

O projeto Low-Carbon tem como uma das suas principais missões alertar a indústria para a importância da sustentabilidade enquanto fator determinante para a rentabilidade e competitividade das empresas. Através da realização de diversas sessões e conferência, o projeto tem demonstrado que a transição para um modelo circular exige mudanças estruturais, desde a valorização de resíduos à adoção de novas estratégias de negócio, bem a importância da inovação e da colaboração - essenciais para que a indústria consiga posicionar-se como um setor mais resiliente e preparado para o futuro. Um dos destaques deste projeto foi a criação do ‘Guia ESG para a Indústria de Moldes e Plásticos’, desenvolvido pelo CENTIMFE, com a colaboração da CEFAMOL.

Trata-se de um documento que oferece às empresas uma ferramenta estratégica para implementar práticas sustentáveis nos âmbitos ambiental, social e de governança.

Este guia visa ser uma referência para o setor, incentivando a adoção de boas práticas e políticas que respondam às expectativas regulatórias e às necessidades das empresas, dos seus clientes e dos parceiros de negócios.

PRR Centimfe
Cefamol & Centimfe
Engineering & Tooling

© Copyright 2024 Projeto Low Carbon. Todos os direitos reservados.

Proudly designed by Centimfe